Olhos... espelho da alma
Os nossos olhares cruzam-se e tudo pára. Coro levemente e o meu coração dá um salto.
Numa fracção de segundo dissémos tudo
e ninguém falou. Não foi preciso.
Naquele momento senti-te.
Nós nunca nos vemos. Ou melhor,
Nós nunca nos vemos. Ou melhor,
nós raramente nos vemos.
Mas não é por isso que te quero menos,
embora eu sinta que tu aches que eu
digo as coisas da boca para fora,
sem as sentir,
apenas para manter uma conversa animada.
Não, coro.
O meu coração não dá saltos.
Apenas porque não te vejo.
Mas queria (a)saltar o teu coração.
Assaltar de mão armada.
Munido de palavras fortes e
de umas mãos que te querem tocar.
Quero-te assaltar. Quero-te invadir.
Quero que, ao encostar-te à parede,
sinta no teu olhar que é isso que queres,
mesmo sabendo os riscos que corres.
Tu achas que esse dia nunca chegará.
Eu acredito que numa fracção de segundo
tudo muda. Neste momento estás a sentir-me.
Quero-te.

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