quinta-feira, agosto 15, 2013

A Realidade do Amor

Que sempre existam almas para as quais o amor seja também o contacto de duas poesias, a convergência de dois devaneios. O amor, enquanto amor, nunca termina de se exprimir e exprime-se tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado. Os devaneios de duas almas solitárias preparam a magia de amar. Um realista da paixão verá aí apenas fórmulas evanescentes. Mas não é menos verdade que as grandes paixões se preparam em grandes devaneios. Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade.

Gaston Bachelard, in ' A Poética do Devaneio'

domingo, agosto 04, 2013

Angel Song


Este sou eu com outra crise nervosa
A minha pressão caiu, o corpo foi com ela
A memória falha, sinto-me claustrofóbico
Eu grito uma dor silenciosa, neste grande nada
Não há ninguém aqui
Diz-me quem está aí agora?
Quem está contigo?
Não atendo chamadas, a não ser que seja a tua voz
Não vejo ninguém sem seres tu
Abro a caixa do correio a toda a hora
Talvez apanhe o carteiro
Eu quero ouvir algumas palavras de amor
Mas não nesta voz disléxica
Não eu não vou desmoronar por ti
Mas eu não tive escolha
Acho que tentei manter-me vivo
Mas um vez morto, não havia nada a fazer, senão
Levantar-me e Estirar-me
À espera de um anjo
Que me acorde e diga:
"Olá. Não tenhas medo. Eu quero que saibas que não
estás morto"
Beija-me, isto será um sonho?
Deverei acreditar? Por favor,
Promete-me, que não me vou magoar desta vez.
Sou demasiado bom para você? Ou estou apenas
paranóico?
Deveria receber tratamento médico ou deveria falar
mais baixo?
Talvez devesse fechar os meus olhos durante anos
E esperar pelo sentimento mais forte de todos os
sentimentos
Para nascer de ti.
Sou real? Tu és real?
Diz-me, o que é real?

Silence 4